quinta-feira, 25 de novembro de 2010

NEM IRMÃOS, NEM AMIGOS

Primos. Eles são de todo tipo. Eles são os mais velhos, os da sua idade e os mais novos. Cada um à sua maneira e proprietários de algum momento de nossas vidas. Existem os próximos, os que não são, os que já foram e os que não eram próximos.

A vida em família são só mimos quando somos o caçula e todo mundo quer brincar com “o bebê fofinho”. É claro, não lembramos esses momentos, mas o caçula da vez está lá pra nos encantar com seus gracejos e sorrisos sapecas. Depois a gente cresce e outros, aos poucos, vão chegando. Basta esperar e um dos pestinhas vai nos escolher como tênis e ele vai ser o chiclete. Esse chiclete, em particular, exige atenção nos momentos mais improváveis. Constantemente perdemos a paciência, mas além dessa névoa existe um amor totalmente incondicional.

Nossas primeiras confidentes são as primas. Elas têm quase a mesma idade que nós e acabam se tornando nossas primeiras amigas. Quando levamos pela vida as amizades com todos os altos e baixos naturais, olhamos para a infância e reconhecemos nossas melhores amigas não nas coleguinhas do colégio. Também andando pela vida, reconhecemos nos nossos gostos musicais as influências (gigantescas) daquele primo que nos fazia escutar umas músicas estranhas. Não tínhamos a menor noção do que ouvíamos, mas era tudo tão legal.

Diferente dos nossos irmãos, os primos nos trazem outras noções, experiências, de lar, assim como nossos amigos. Mas quando acontecem as brigas, os desentendimentos, surge a beleza de sermos primos. Amigos podem simplesmente virar as costas e saírem, leva um bom tempo até acharmos aquele que fica. Já os primos podem se distanciar, mas nas reuniões de família lá estarão eles e com um pouquinho de insistência o amor dormente de quase irmãos fala mais alto. Com os primos a gente erra, pisa na bola sem medo de cair e nunca mais levantar. Consumimos a paciência deles tentando ser legal e vamos juntos ao cinema, na mala do carro para assistir Harry Potter.

Isso não dura para sempre, por maior que seja nossa vontade. Mas aí chega o de longe querendo juntar todo mundo. Às vezes nós somos os de longe, andamos meio perdidos em uma terra estranha, quando tudo o que queremos é estar em casa. As férias chegam e fazemos o caminho inverso da maioria, não viajamos de férias, voltamos para casa.

O que a gente quer quando chega? Dá um beijo nos avós, um abraço nos tios e se divertir como nos velhos tempos, com os primos. O primeiro deles que procuramos é o comunicativo e articulado, um verdadeiro colete salva-vidas num mar de ex-conhecidos. Juntos, pensamos em alguma coisa, um programa legal que raramente dá certo e nunca está todo mundo. Mas tudo bem, o natal e o ano novo estão aí para salvar os de longe.

E, viva, os momentos ímpares do passado. Uma música antiga, as broncas de nossas avós quando destruíamos o jardim dela, lembranças deles que só o nosso Eu tem. E pelas brigas ou picolés cheios de areia na praia, sorrimos. Sorrimos sozinhos no meio da noite quando sonhamos com eles ou quando nos lambuzamos comendo alguma coisa.

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