Depois de tanto tempo sem escrever eu estou voltando de uma maneira bem diferente. Dessa vez não são as impressões da vida diária, do meu lugar de conforto onde eu posso refletir sobre a vida no meu ritmo! Mas também não quero fazer um diário de viagem do tipo: “As aventuras de Iana no Canadá!”. Muito menos um guia de Vancouver para brasileiros. Eu quero sim falar das minhas impressões, mas de uma rotina bem diferente. Depois dos últimos dias de aula do ensino médio, de um período de férias mais longo que o normal eu volto às aulas de uma maneira bem peculiar. Não em uma universidade, de volta à minha cidade, mas em outro país, aprendendo inglês, bem longe de casa, da família e dos amigos. Por aqui só a Craveiro pra me aturar e vice-versa!
A verdade é que em se tratando de Canadá a primeira coisa que eu sinto é falta do calor. Eu já desconfiava, mas agora tenho certeza: DEFINITIVAMENTE nasci no lugar certo! Eu amo o calor do Brasil! Por aqui encontrei muito brasileiro com vontade de ficar cada vez mais, quanto a mim: eu quero voltar! Não do tipo se eu pudesse pegava um avião hoje mesmo para casa, não, isso não. Eu quero é no dia que está marcado na minha passagem de volta pegar meu voo e chegar no Recife! A experiência é válida e só de estar sozinha em um país diferente por 4 semanas já me considero uma pessoa diferente. A mudança interna é notável ao ponto de em tão pouco tempo eu mesma já me sentir diferente. O problema é que não parece natural, são pressões externas que forçam uma mudança de atitude imediata sem um raciocínio prévio. É como se eu tivesse meio perdida de mim. Não consigo nem dizer se gosto ou não.
Tudo funciona mais ou menos assim: 1. Observar; 2. Registrar; 3. Repetir. O automático está funcionando como nunca. É como se eu estivesse meio burra, sem senso crítico, cabeça aberta demais. Claro que o papo de abrir a cabeça para novas culturas, se permitir conhecer outros lugares é verdadeiro e importante. O problema talvez seja que, conhecendo o que conheço de mim mesma, uma viagem pra Índia ou algo do tipo me encantaria mais. A grande verdade é que não me deslumbrei com o lugar. A cidade é bonita, agradável, mas só isso não é suficiente. Talvez um lugar com menos McDonalds, menos pizza por 1 dólar, menos apelo ao consumo me deixaria mais feliz. Nas idas e vindas da escola, quase nada me faz sorrir! Só quando algum músico de rua está em alguma esquina ou na frente de uma estação tocando boa música, aí sim um sorriso escapa com naturalidade.
Sei que aqui, como em quase todos os lugares, deve ter aquele lugar onde só se toca boa música, gente com um senso crítico afiado esperando por debates calorosos. Muito provavelmente eu estou numa cidade onde a falta de preconceito e multiplicidade de culturas aflora em algum lugar, mas ainda não fui apresentada a isso. Diferente do que eu esperava: estou cercada por mais do mesmo! A mesma sensação de que por aí tem gente que pensa feito eu, mas estou frequentando os lugares errados. Pra quem esperava uma mudança tá tudo igual demais. As primeiras impressões do tipo: motoristas educados, respeito aos idosos, pessoas que seguram a porta aberta quando veem alguém vindo... Nada disso me impressionou, eu já me sentia na obrigação de ser assim. Aqui eu só tenho o empurrão que me faltava para agir.
Acho que a coisa tá soando como se eu fosse cool demais para isso tudo. Mas não é por aí. No fim das contas acho que a banda toca mais ou menos por onde dois primos meus dizem: um diz que eu sou velha, outro que eu sou chata. Bom, fazer o que se eu sinto falta da minha casa e a maioria das coisas não me empolga com tanta facilidade? O que eu sei é que Vancouver ainda tem mais dois meses para me conquistar. Ela que não espere muito porque a cidade do meu coração é Recife e esse posto nenhuma outra tasca. Pelo menos ultimamente o sol tem aparecido com mais frequência e até calor às vezes faz dentro do meu quarto. Se no fim eu vou ser conquistada não sei, mas que Vancouver (em parceria com o sol) tá começando a trilhar o caminho certo, tá!