Fala-se muito no poder das palavras, de que devemos pesar o que iremos dize, pois nossas palavras podem magoar, ou que às vezes o silêncio é a melhor resposta... Coisas desse tipo. Também existem os eufemismos para que palavras rudes não sejam ditas, mas em algumas situações eles beiram a ironia. Outras podem ser pejorativas em algumas situações, outras em qualquer situação. Ou seja, cada palavra tem seu lugar e momento.
Cada um às olha de uma maneira diferente, dependendo da sua especialização. Até mesmo dentro de cada especialização existem diferenças. Por exemplo, os lingüistas e os gramáticos avaliam cada uma delas de uma maneira diferente. Mas e nós, na verdade e a maioria de nós, que as usamos como uma simples forma de expressão? Nós simplesmente aprendemos o significado delas através de associações, isso desde muito novos, agora elas estão até em nossos pensamentos. Quando lemos um livro, por exemplo, são as palavras que comandam nossa criatividade, nos indicam a direção e então, só então, imaginamos.
Mas a verdade é que as palavras tornam as coisas concretas. O que está em nossa mente só ganha corpo quando falamos. Só com palavras, sejam elas escritas ou faladas, as coisas se tornam verdade. Quantos de nós só passamos a acreditar em determinadas ideias depois de verbalizá-las? Tudo é exatamente como diz a letra de uma música “Isso começou como um sentimento / Que desejava crescer e se tornar uma esperança / Que desejava se tornar um pensamento quieto / Que desejava se transformar em uma palavra quieta / E a palavra cresceu mais alta e alta / Até que era um grito de batalha.” Depois que as coisas se transformam em palavra elas ganham vida própria. Uma palavra depois que é dita não precisa mais do seu locutor. A prova mais banal disso é a fofoca.
As palavras têm som, têm tom, significado, sentimento, momento, vida. Afinal, elas são a expressão da vida, a estampa dos pensamentos. Até a ausência delas é cheia de significados. Elas estão na música, na pichação do muro, no conhecimento, na transmissão do conhecimento, nos livros, nos erros, nos acertos, no bem, no mal, dizem tudo, seja em um bilhete ou em um artigo de opinião. Não importa a língua, palavra é palavra em qualquer lugar, só muda a grafia.
É por essas e outras que devemos sim pensar antes de falar coisas importantes. Mas devemos também nos deixar levar pelos encantos de uma palavra desconhecida. Devemos guiá-las e nos deixar ser guiados. É até saudável e justo que deixemos escapar as palavras puras que vêem sem filtro, elas também são a expressão de sensações. Quando nos abstemos do uso de determinadas palavras por mera formalidade, pode ser ruim, devemos construir o momento e lugar de cada uma delas. Devemos organizar as palavras de modo que elas possam transmitir exatamente aquilo que queremos, mas às vezes pode ser doce o sabor de nos confundir e gaguejar sem achar a palavra certa.
Por fim, as palavras não são plenas, mas são enormes. São as coisas mais certas e ambíguas do mundo, pois a língua é uma criação nossa, dos seres humanos, e assim como nós não é perfeita, mas fundamental. Elas podem descrever, encantar, entristecer, confundir, alegrar e calar, mas... Como já dizia Rodrigo Amarante “Não te dizer o que eu penso / Já é pensar em dizer”.