sexta-feira, 23 de julho de 2010

NOVOS (E VELHOS) CHEIROS

Bom, eu mudei de sabonete. É, fazia algum tempo que eu já usava o mesmo tipo, mas hoje acabou o último frasco e só tinha de outro tipo. Esse é bom, muito bom por sinal. Quando eu coloquei um pouco na mão e molhei, senti um cheiro suave e bom, realmente bom, como eu não sentia a algum tempo em sabonetes. Olhei para o pote vazio do antigo e pensei em quando eu o usei pela primeira vez. Aquela foi a vez dele de ser um bom sabonete, com cheiro extremamente agradável, mas agora... eu já nem sinto mais o seu cheiro. E sabe, não só com os sabonetes isso acontece: São com nossos pratos preferidos, filmes e pessoas.

O novo sempre nos encanta, seja de um modo bom ou ruim. Quando realmente gostamos de alguma coisa temos sempre o impulso de fazer dela nossa propriedade, para que possamos tê-la sempre que quisermos, ou precisarmos, sem qualquer esforço. Foi assim com meu antigo sabonete, eu cheirei, gostei, comprei e usei. E isso continuou por frascos e mais frascos do mesmo sabonete. No começo o banho era extremamente agradável eu ficava feliz de poder sentir aquele cheiro todas as vezes que decidia entrar debaixo do chuveiro.

No entanto, como tudo na vida, o encanto passa! E então basta apenas uma outra coisa que nos agrade aparecer trazendo de volta o velho encanto, só que com um cheiro novo. É aí que está o caráter descartável de tudo, como um filme que vai perdendo a cor com o tempo. Os dias passam e a cor vai embora, o nariz acostuma e o cheiro some.

Aliás, acostumar talvez seja o nosso grande mal. As pessoas sofrem da síndrome do costume, do cômodo. Quando estamos diante de uma situação desagradável alguém vem e fala “você acostuma” e eu não tenho dúvidas que não. Quando alguém sente falta de algo que não tem mais: “era o costume” (mesmo quando estamos nos livrando de algo que não queremos mais). O costume é tão ruim que eu sou capaz de apostar: daqui um tempo, quando não estiver mais sentindo o cheiro do meu sabonete novo, posso pegar o velho e me encantar novamente com ele. Tudo por conta do mais puro costume. Esse que nos poda a curiosidade e nos cega ao longo do caminho. Como o sabonete que vai perder a graça.

Talvez a beleza da vida esteja no encanto perdido, ou talvez isso seja só conversa de quem descobriu que o mundo é cinza e tem medo de encarar. O fato é: olhar a vida como se fosse a primeira vez nos deixa mais felizes. A magia deve estar em quebrar o lugar comum, em buscar o diferente. Em ter que luta, em não ter todos os dias o que queremos. Do contrário, qual a graça em ter o que gostamos sempre ao nosso alcance, se vamos enjoar?
Adorei o sabonete na primeira vez e enjoei. Ouvi uma música e me apaixonei, procurei por ela desesperadamente e já cansei de ouvi-la. Assisti tanto a um filme que decorei as falas, hoje não posso nem ouvir falar nele. Gostava (e usei) tanto da cor azul odiando o vermelho que agora entre duas blusas iguais, uma azul e outra vermelha, eu fico com a vermelha. Comi tanto a lasanha da minha avó que reclamava todos os domingos quando tinha lasanha. Eu só queria que ela ainda pudesse fazer uma para o almoço quando eu fosse visitá-la.

Mas o grande problema disso é quando acontece com pessoas...

4 comentários:

  1. Mas o que fazer com as pessoas, já que não são descartáveis? É bem verdade que as cores de hoje não são as mesmas da infância. Maldito costume que deixa menos nítido o encanto da flores. Um sábio cantou uma vez, que infeliz deve ser o homem de alma orgulhosa que não sabe ou não pode ver uma gotinha d´agua correr na pétala de uma rosa.
    "...Minha alma é presa à mais livre loucura, não busco um novo caminho, mas um novo jeito de caminhar..."

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  2. E o que aconteceria se em uma bela manhã durante seu banho matinal vc percebesse q o perfume de seu sabonete havia mudado? Não é um sabonete novo, esta na mesma embalagem do antigo, mais tem algo diferente.....
    e se atravez de suas palavras fosse possivel converncer o sabonete a mudar de cheiro a cada dia, modificando lentamente sua essência deixando-a cada vez melhor?
    não séria maravilhoso?
    e se pudesse sujerir um novo final a esse filme?
    vc o assistiria novamente?
    Ai esta a diferença, as pessoas mudam, ñ é facil, e nem sempre essa mudança nos agrada, mais elas mudam....nk é o mesmo cheiro, nk é o memso final, sempre tem algo diferente, mais as vezes a mudança é tão lenta q nem percebemos, e as vezes percebemos tarde de mais...

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  3. pois é, não sei nem o q dizer depois dessas palavras!!!

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  4. nossa gente, eu pensei em comentar, mas nao tenho tanta poetividade asim. Ahh, iana, eu adorei o texto.eu nunca tinha parado pra pensar nisso, tauvez eu tenha me acostumado á deixar as coisas passarem sem perceber, ou tauvez me importar.Acíria.

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